PESSOAS

Devido à presença de sistemas econômicos em nossa sociedade, as gerações oscilam entre cenários otimistas e pessimistas. Elas são fruto do zeitgeist, ou ‘espírito de época' — marcado por seu contexto político, social, econômico, cultural e tecnológico. Por isso, para compreender como as pessoas reagem às mudanças, podemos agrupá-las nas gerações a que pertencem, reunindo semelhanças e identificando padrões. 

(Fonte: WGSN)

Dessa forma, apesar de carregar algumas características similares às anteriores, uma geração também pode apresentar características contrárias à sua antecessora. As gerações são um reflexo do seu tempo.

Baby Boomers
Geração X
Geração Y
Geração Z
Geração Alpha
BABY
BOOMERS
1946 — 1964
(56 - 74 anos)

 

Representam um súbito aumento de natalidade. Foi a primeira geração que cresceu em frente à TV. É a geração do rock'n roll.

GERAÇÃO
X
1965 — 1978
(42 - 55 anos)

 

Pais da geração Z, passam por rupturas significativas — da influência hippie ao golpe militar no Brasil.

GERAÇÃO
Y
1979 — 1993
(27 - 41 anos)

Popularmente conhecidos como Millennials, se desenvolveram numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica.

GERAÇÃO
Z
1994 — 2009
(11 - 26 anos)

 

Representam um tsunami populacional, são nativos digitais, mais seletivos com as marcas e mais conscientes. 

GERAÇÃO
ALPHA
2010 — 20...
(0 - 10 anos)

 

A caminho de ser um grande grupo de consumo. A McCrindle prevê que até 2025, os Alphas serão 2 bilhões de pessoas.

(Fonte: WGSN)

vida ativa e hedonismo

Baby Boomers (1946 - 1964)

NOVA PERSPECTIVA SOBRE MATURIDADE:

vida ativa e hedonismo

Emergindo como a força de trabalho de crescimento mais rápido, os Boomers estão trabalhando mais e possuem um novo conjunto de prioridades e objetivos que, quase sempre, incluem a qualidade de vida como algo a ser valorizado. Foram apelidados de ‘Generation Unretirement', a geração que não se aposenta, por ter considerável número de aposentados voltando ao trabalho, seja por necessidades financeiras, seja pelo potencial de contribuição que ainda representam para o mercado de trabalho. Afinal, estamos nos acostumando com a duração de 100 anos para a vida humana. 

 

Como consequência, a presença desse novo perfil economicamente ativo vai continuar redesenhando a educação, o trabalho e a aposentadoria tradicionais.

 

No Brasil, o crescimento dos boomers chama a atenção. De acordo com o IBGE, a parcela da população com mais de 65 anos era de 10,5% em 2018. Pelas projeções do instituto, esse percentual atingirá 15% em 2034 e alcançará 25,5% em 2060.


Parcela importante deste grupo, há algum tempo, sustentava um movimento a partir do qual gastam mais tempo e dinheiro em experiências, como viagens. Nos últimos tempos, por ser o grupo mais afetado pelo isolamento social e pela necessidade de realizar quarentena, viram as possibilidades diminuírem ao mesmo tempo em que vivenciaram o retorno de filhos e netos para o seu ambiente familiar, levando-os a assumirem, ou reassumirem, alguns papéis. Mas, sem dúvida, é uma geração que sabe que chegou a hora de aproveitar e nos próximos anos pode se tornar um grupo de consumidores com demandas reprimidas e ávidos por novas experiências de bem-estar, entretenimento e lazer.

Combatendo preconceitos com a idade 

 

Por outro lado, o preconceito com a idade continua sendo um desafio para esta geração, e o ambiente de trabalho é um dos lugares onde isso fica muito evidente. De acordo com um estudo da seguradora Hiscox, de 2019, 21% dos empregadores americanos enfrentaram discriminação por idade e 44% conhecem alguém que já enfrentou. O Índice de Oportunidades 2020 do LinkedIn também revelou que 43% dos Boomers veem a idade como sua maior lacuna de oportunidade. O assunto é tão preocupante que a OMS já investiu mais de US$500 mil em pesquisas sobre preconceito de idade e um plano para promover uma cultura de trabalho que inclua a diversidade etária.

 

A pandemia pode ter agravado ainda mais essa situação de preconceito, uma vez que, pela idade, os profissionais dessa geração são tidos como pertencentes ao grupo de risco para o novo coronavírus. Por outro lado, o que chama a atenção são iniciativas, dentro das empresas, que buscam quebrar este tabu social lançando estímulos para que o amadurecimento seja visto como oportunidade para explorar um novo e excitante estágio da vida e não como uma barreira. 

 

Nessa direção, é possível citar o movimento Radical Age, crescente nos EUA, que está desafiando as noções tradicionais de envelhecimento para criar uma "sociedade que trabalhe para todos nós". Tem como objetivo apresentar novas ideias para a construção co-criativa de comunidades interdependentes das quais os idosos participem ativamente. 


De acordo com um relatório de 2020 do LinkedIn, 89% dos profissionais de talento dizem que uma força de trabalho multigeracional torna a empresa mais bem-sucedida. "Pela primeira vez, quatro gerações estão trabalhando juntas. É hora das empresas deixarem de lado as contratações dos preconceitos e abraçar uma força de trabalho multigeracional como oportunidade", diz Olivier Legrand, diretor administrativo do LinkedIn.

novos hábitos digitais

Novos hábitos digitais 

 

Entre 2012 e 2019, o uso de ferramentas tecnológicas por esse grupo disparou 59%, e isso deve ter se intensificado ainda mais por força do período de isolamento. Um estudo da empresa de planos de saúde Cigna apontou que 50% dos Baby Boomers e 71% dos Millennials se sentem sozinhos. Apesar da pouca desenvoltura digital dos Boomers em comparação aos grupos mais jovens, eles estão cada vez mais usando os dispositivos móveis, criando identidades on-line pessoais e profissionais. De acordo com um estudo do ano passado da consultoria Pew, 68% dos Boomers têm um smartphone e 54% têm um tablet.

 

Um fenômeno interessante observado na quarentena foi a entrada de parcela importante desse grupo no mundo digital por meio de smartphones, o que indica crescimento de consumidores do tipo mobile-only ou mobile-first - ou seja, pessoas que usam e têm o celular como principal plataforma de navegação. Isso representa uma mudança de paradigma importante para os produtos digitais que já precisarão intensificar os conceitos de usabilidade e responsividade.

 

A Revel é uma comunidade digital para mulheres acima de 50 anos, feita para criar conexões significativas on-line e off-line. O app oferece acesso a eventos que estão ocorrendo na região, organizados e frequentados por um público da mesma faixa etária. O app Cocoon foi desenvolvido por dois ex-funcionários do Facebook, com o objetivo de ajudar os usuários a criarem uma rede mais exclusiva de amigos e familiares. A plataforma busca combinar a funcionalidade de um chat em família com um feed de notícias.

Viajantes cautelosos

 

Antes da Covid-19, as viagens eram uma das principais prioridades dos Boomers financeiramente estáveis e algo que eles estavam especialmente ansiosos para fazer na aposentadoria. Fala-se muito que depois de uma vida inteira de trabalho a maior recompensa é ter tempo e dinheiro para viajar. Mas de acordo com uma pesquisa de 2020 da seguradora de vida Coventry Direct, a hesitação em torno das viagens internacionais permanecerá alta em 2021, com 40% não planejando nenhuma viagem, embora haja uma perspectiva melhor para viagens domésticas: mais da metade (51%) tem uma ou duas viagens planejadas.

 

Entre os adultos norte-americanos com mais de 55 anos, o medo de ser incapaz de se distanciar socialmente de forma eficaz em áreas públicas é o principal motivo para o desconforto de circular fora de seu país. Além de voar, usar transporte público também aparece como um problema, uma vez que eles sentem que não podem confiar em regras e políticas de segurança diferentes das de seu país.


Para tentar amenizar essas inseguranças, os setores que dependem de turismo têm inovado como podem. A empresa de aluguel de carros Kyte, com sede em São Francisco, entrega veículos diretamente aos clientes, sem espera, e aumentou as reservas em 40% desde o início da pandemia. A companhia aérea norte-americana JSX oferece assentos relativamente acessíveis em voos semiprivados, que partem de operadoras de base fixa em vez de aeroportos comerciais, evitando multidões.

viajantes cautelosos

Geração X

(1965 - 1978)

individualidade e consciência

A BUSCA POR EQUILÍBRIO:

individualidade e consciência

A chamada "geração sanduíche" chegou agora à meia-idade com novos valores e prioridades, muitas delas, inclusive, redefinidas com os efeitos da pandemia e as dinâmicas de isolamento social. Em meio ao envelhecimento de populações em muitas partes do mundo e incertezas mundiais cada vez maiores, ela pode ser uma das gerações mais estressadas e sem tempo - se divide entre a criação dos filhos e o cuidado dos pais já idosos, ao mesmo tempo em que lidam com o impacto no aumento de dívidas e convivem com uma menor estabilidade de emprego. 

 

Munida de autoconfiança e resiliência, enfrenta os desafios com criatividade e jogo de cintura, além de ter aderido com maestria às facilidades das ferramentas digitais. Agora, no momento em que, para muitos, seria o auge de seu poder de compra, tentam aproveitar a vida ao máximo ao mesmo tempo em que convivem com o dilema existente entre a atitude jovem, o orçamento adulto e as novas prioridades que surgiram a partir da pandemia.

Novas ambições profissionais

 

Tendo mais de duas décadas de experiência de trabalho, a Geração X compõe mais da metade dos líderes dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e ocupa 51% dos papéis de liderança no mundo. Eles são empreendedores: a média de idade dos líderes das startups que cresce mais rapidamente é de 45 anos, e quase a metade das pessoas dessa geração planeja abrir o próprio negócio na próxima década. A Geração X também está à frente da mudança na maneira de trabalhar. "Foi a primeira geração que ativamente buscou o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, uma característica que continuará adotando e promovendo entre suas equipes," diz Nicole Gorton, diretora da firma de recrutamento Robert Half.

 

Os X dominaram a tecnologia e vão desempenhar um papel importante de liderança nos próximos anos. No entanto, precisarão se atualizar e encontrar respostas para as novidades que surgiram a partir da pandemia, como a intensificação da prática do Home Office, a demanda por novas habilidades para a gestão remota de pessoas e a evolução de modelos de trabalho híbrido (presencial e remoto). Visto que seus membros mais velhos ainda terão pelo menos mais uma década ativa no mercado de trabalho, as empresas poderão apostar, cada vez mais, no pleno potencial dessa geração com um repertório profissional maduro e digitalmente experiente para liderar as equipes e as novas transformações do mercado de trabalho.

Quarentões sem estigmas

 

O conceito de "meia-juventude" aposta no envelhecimento com espírito de aventura e um desejo de aproveitar a vida e ao mesmo tempo de se manter saudável. De acordo com o analista demográfico americano Neil Howe, a Geração X está redefinindo o significado da crise de meia-idade, que agora é "uma chance de se libertar e 'viver um pouco’”. De fato, 49% das pessoas da Geração X anseiam por hobbies que lhes permitam ter algum "tempo próprio" e 55% dizem que suas atividades favoritas lhes permitem desestressar. Por este motivo, tiveram que se reinventar para encontrar “fugas” para realizá-las durante o isolamento social e, aqueles que simplesmente as abandonaram, provavelmente, são os mais ávidos e suscetíveis a novas soluções que lhes prometam uma experiência, no mínimo, similar.  


Muitos deles, chegando agora ao auge de seu poder financeiro, expressam bastante sua identidade e desejos por meio das compras. De acordo com o ministério do trabalho dos EUA, a Geração X ultrapassa todas as outras quando o assunto é comer fora e entretenimento. Com uma renda maior — levando em conta o salário de um casal quando os dois trabalham —, eles são uma geração poderosa e que consome rapidamente.  A Geração X é responsável por 23% de todas as idas a restaurantes, apenas 2% atrás dos Millennials, com 25%. (estudo NPD).

Comportamento ultraconectado

 

A Geração X usa as redes sociais de maneiras diferentes dos Millennials e da Geração Z e, apesar de serem mais lentos para se engajar que as gerações mais jovens, seu uso está alcançando altos índices. Um relatório de 2019 feito pela Pew descobriu que 76% das pessoas da Geração X nos Estados Unidos usam redes sociais, atrás apenas dos Millennials (86%). O Facebook continua sendo a rede social mais popular entre a Geração X – 81% deles têm uma conta na plataforma, de acordo com a GlobalWebIndex. No entanto, por causa da confiança abalada, o número de usuários deve declinar até 2022. Outros 52% desse grupo têm Instagram e 49% estão no Twitter. Pessoas da Geração X usam mais as redes sociais para rastrear marcas atrás de ofertas - segundo um estudo da Mobile Marketing Association realizado pela Kantar Millward Brown em parceria com a Netquest, essa é a geração que mais compra produtos por meio de anúncios nos dispositivos eletrônicos.

 

Quando falamos de compras on-line, a Geração X alcançou os Millennials. Ela dá prioridade à conveniência e à agilidade, adotando as compras on-line mais do que qualquer outra geração. No Reino Unido, uma pesquisa do YouGov para a companhia de segurança InPost mostra que pessoas de 45 a 54 anos são os compradores on-line mais frequentes, fazendo mais de 50 compras por ano – quase uma por semana. Com tantas demandas em sua agenda, a conveniência é um fator importante para que eles façam compras de mercado on-line, com 42% afirmando que não têm tempo de ir à loja. 

 

As dinâmicas desencadeadas pelos efeitos da pandemia só criaram um ambiente ainda mais propício para o hábito de compra on-line dessa geração, uma vez que, com mais tempo em casa, as pessoas se tornam mais dependentes desse tipo de meio de consumo; ao mesmo tempo em que aumentam o seu tempo nas redes sociais e consequentemente a sua exposição a anúncios e algoritmos que existem por trás deles.

Geração Y

Millennials (1979-1993)

ETERNOS QUESTIONADORES:

autoaperfeiçoamento e desconexão

A geração com intensa lembrança de um mundo analógico, mas que entrou no digital ainda jovem, revolucionou as estruturas clássicas do mercado de trabalho e dos relacionamentos sociais. Nascida em um período de turbulência econômica, teve seus representantes mais velhos chegando ao mercado de trabalho no auge da crise de 2008. Com menos dinheiro "no bolso", começou a priorizar experiências ao invés da posse, viagens e flexibilidade ao invés da rotina diária no escritório. Se, antes da pandemia, muitos já optavam pelo retorno à casa dos pais para economizar dinheiro, as dificuldades e os dilemas do isolamento social só acentuaram esse comportamento, e, muitas vezes, fizeram isso tendo empregos que não os pagam bem e os sobrecarregam. 

auto-aperfeiçoamento e desconexão

Qualidade de Tempo

 

Um tema que impera no momento atual e representa o zeitgeist é o sentimento das pessoas se sentirem incapazes de fazer tudo o que querem (ou até que precisam) no tempo que desejam.

E essa "falta" de tempo pode aumentar a ansiedade e diminuir as sensações de prazer, bem-estar e completude. Sem dinheiro e tendo que lidar com uma competição brutal no mercado de trabalho, muitos Millennials não podem se dar ao luxo de "parar e relaxar" – e eles estão enfrentando cada vez mais dificuldade para suportar esse ritmo. A "Síndrome do Super-homem", busca pelo sucesso financeiro, profissional e pessoal, afeta esse grupo que, mesmo sabendo que é impossível ter tudo, não quer deixar de tentar.

 

A experiência com a pandemia e a necessidade de postergar planos foi especialmente desafiadora para essa geração. Acostumada com o imediatismo, teve que lidar com frustrações relacionadas à impossibilidade de conquistar desejos pessoais e profissionais e, como poucas vezes ao longo da sua vida, os motivos eram totalmente externos, fora de seu controle e extremamente limitadores.

 

Além disso, no momento da vida em que a aceleração social levou o burnout para além do ambiente de trabalho, os Millenials são um grupo geracional que vivenciaram a pandemia já estando cansados de tentar equilibrar vida pessoal e profissional e de tarefas como construir uma marca pessoal, fazer atividades físicas e cuidar das finanças (um problema chamado "paralisia de excesso de tarefas”). 

 

O contexto em que estão, portanto, é bastante dicotômico em relação às escolhas de como investir o seu tempo. Um estudo de 2018 do Global Web Index descobriu que um número enorme de adultos entre 25 e 35 anos gostaria de passar por um detox digital completo. Atualmente, essas pessoas vivem num constante estado de distração e buscam novos meios de combater a infobesidade (ou sobrecarga de informação). Um número cada vez maior de Millennials têm buscado uma reconexão significativa com sua própria essência, adotando cada vez mais momentos de minimalismo digital para fugir de suas vidas hiperconectadas. 

Combatendo o burnout

Combatendo o burnout

Millennials são comumente rotulados como mimados, preguiçosos e incapazes de trabalhar

sem que haja uma recompensa imediata, e todas essas percepções contribuíram para a criação de estereótipos atribuídos a esse grupo. No entanto, eles já mostraram possuir habilidades invejadas por outros grupos geracionais ao conseguirem se adequar a um mundo em constante mudança. Sabem se adaptar à convivência com novas tecnologias e as dominam rapidamente, subverteram a ordem de indústrias e abraçaram a cultura da pressa em nome de uma melhor situação financeira. Estão trabalhando mais duro e nunca “desligam” completamente.

 

Porém, também são conhecidos como a “Geração Burnout”. Hoje, eles trabalham mais do que os outros grupos geracionais e ganham menos (73% deles trabalham por mais de 40 horas semanais). De acordo com a International Stress Management Association (ISMA-BR), o Brasil é o segundo país com o maior número de pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout - e a maioria das pessoas aqui afetadas é de Millennials. O assunto tem ganhado relevância crescente, a ponto da Organização Mundial da Saúde, em 2019, incluir o burnout na sua Classificação Internacional de Doenças (ICD-11), na categoria de “fenômeno ocupacional". 

 

A Geração Burnout prioriza o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, cada vez mais adotando soluções de bem-estar e autocuidado para evitar o esgotamento. Eles também usam apps de meditação e terapia. As experiências transformadoras e o turismo lento também vêm crescendo, pois esse grupo busca novas formas de se desconectar e reavaliar sua vida pessoal.

Saúde e bem-estar são foco

 

Ficar em casa é a nova alternativa para os Millennials modernos. Lidando com as pressões do dia-a-dia e ainda experimentando os efeitos do isolamento social, muitos deles estão abrindo mão de drinks e festas em nome de rituais de autocuidado em casa. Por enquanto, o bem-estar continua sendo um símbolo de status para eles. Essa é a geração que tem mais buscado por conteúdos que os ajudem a se manter positivos, como música motivacionais e podcasts de autoajuda - 63% dos Millennials afirmam procurar por esse tipo de conteúdo durante a pandemia (Pesquisa Deezer). O futuro desse mercado é promissor, à medida que os consumidores continuarão em busca do autoaprimoramento e essa geração seguirá interessada em suplementos de beleza, ferramentas tecnológicas para o sono e produtos ambientalmente responsáveis.

 

A alimentação saudável se tornou um símbolo de status impulsionado por diversos influenciadores, o que torna a ortorexia (obsessão por comida saudável) uma ameaça importante para os impressionáveis Millennials. Por outro lado, os efeitos do isolamento podem ter sido perversos para os hábitos de muitos membros dessa geração. A facilidade dos apps de delivery e de fast-foods, somada à ansiedade, à comodidade e à promessa de economia de tempo relacionados ao seu uso, é um dos fatores que podem os ter levado a fazer escolhas menos saudáveis e de maneira repetida, favorecendo, assim, a criação, o retorno ou a atenuação de hábitos que não favorecem o cuidado com a saúde na hora de se alimentar. 

 

O bem-estar também está relacionado à saúde mental. Os Millennials cresceram tão acostumados à terapia que novos campos de estudo estão surgindo (como por exemplo a "terapia financeira’". O compartilhamento de informações sobre o tema também está em alta e o número de produtores de conteúdo que compartilham esse tipo de conhecimento só aumenta nas plataformas sociais, como no Instagram.

Saúde e bem-estar são foco

Geração Z

(1994-2009)

PRIMEIROS NATIVOS DIGITAIS:

pluralidade e comunidade

Nativos do mundo digital, a Geração Z está chegando à sua maioridade em meio a incertezas sociais e econômicas e à ansiedade inerente à convivência com esses fatores. Enquanto Boomers se definiam a partir de uma identificação com grandes grupos/tribos, essa geração prova o contrário: que é possível sobrepor particularidades, pois se classificam a partir de múltiplas definições. Geralmente, são caracterizados por ter uma visão holística da natureza, da sociedade e da própria vida e pela forma cética com a qual se posicionam em relação ao sistema capitalista e às promessas das marcas. A Geração Z é um grupo focado em seus sentimentos e que abre seus corações nas mídias digitais. Eles cresceram em um mundo frenético, conheceram e entraram nas plataformas sociais desde o início de suas vidas. Hoje, encontram nelas refúgio, liberdade, mas também conflito de ideias e frustrações.

Primeiros nativos digitais

Humor como recurso de sobrevivência

 

Os Zs têm na rede digital uma forma de expressão dos seus ideais, que envolvem desde tolerância social a noções de consciência socioambiental. Eles podem até herdar esse mundo instável, com problemas financeiros e falta de empregos, mas confiam em seus potenciais de causar impacto - crença mantida por 62% dos entrevistados, um crescimento de seis pontos entre maio e junho, segundo pesquisa global da WGSN (2018).  

 

Exaustos emocionalmente por conta de questões que vão da saúde mental aos problemas de justiça social e política e problemas familiares, eles usam humor para lidar com problemas, escapar da realidade e se conectar com outras pessoas de sua geração. 

 

Um exemplo disso, é o tipo de humor produzido e trafegado no Tik Tok, aplicativo que foi construído pela Geração Z para a Geração Z. Trata-se de um humor que surge da necessidade de estar na fantasia e do escape da realidade, usando emojis, vídeos e memes com pontos de vista e comportamentos digitalmente virais. Isso explica o segredo de atração para o crescimento de usuários nessa rede social durante o período de isolamento social.

Vulnerabilidade como força

 

Colocada em isolamento (os mais novos sob custódia dos seus responsáveis) e forçada a manter o distanciamento social mesmo estando cheia de energia, a geração precisou descobrir novas formas de socializar totalmente on-line. A pandemia interrompeu as interações "normais" e tornou mais difíceis os momentos de bem-estar e prazer coletivo: menos de 20% da Geração Z afirmou, em pesquisa da WGSN realizada globalmente pelo Instagram, ter se sentido feliz com frequência nos últimos meses, ou seja, de maio a julho de 2020, uma fase ainda crítica de espalhamento da Covid-19.

 

O ambiente digital acolheu a necessidade de dividir essa dor, e a vulnerabilidade virou a linguagem da conexão. A Geração Z vê a expressão da vulnerabilidade como uma forma de lidar com suas ansiedades e cuidar das pessoas ao redor. As discussões sobre autoaceitação se diversificaram e foram desde a positividade sobre o corpo a autocompaixão, atraindo a atenção e incentivando os criadores de conteúdo da Geração Z a compartilharem seus traumas. 


No Brasil, a ansiedade predomina entre todas as gerações. Na geração Z, 37,2% das pessoas assumem estar ansiosas, segundo estudo da plataforma de streaming Deezer. Para ajudar a combater a ansiedade, os brasileiros têm buscado por conteúdos como músicas motivacionais e podcasts de autoajuda ou autoaceitação. O estudo também afirma que 60% da Geração Z têm buscado por esse tipo de conteúdo.

Comunidades híbridas

 

No Brasil, 66% da Geração Z acredita que comunidades são criadas graças a causas e interesses, e não por circunstâncias econômicas ou baseadas na educação. Apesar das mídias sociais também terem o seu "lado vilão", a engajada Geração Z está apostando no poder das redes sociais para conscientizar e impulsionar uma mudança positiva. 

 

A situação de confinamento proporcionou uma imersão maior dessa geração, já nativa digital, nas comunidades digitais, que vão além dos conselhos coletivos e oferecem espaços virtuais com benefícios da vida real/analógica. Elas trazem um sentido de cooperação, empreendedorismo e tomada de decisões unificada, conectando pessoas de diferentes origens e culturas, mas que pensam de uma mesma maneira. Os principais elementos desse tipo de de comunidade são:

  1.  A exposição é a porta de entrada para a criação de uma comunidade on-line e inclui o compartilhamento de informações, tópicos, conteúdos e ideias entre pessoas ou grupos.

  2. A contribuição é o segundo componente, e inclui o conteúdo gerado pelos usuários. Nesse elemento, os usuários contribuem por meios democráticos, como caixas de comentário e fóruns de discussão.

  3. A interação é o componente final da criação de comunidades on-line, e envolve um sentido de conexão, networking e relacionamento. É aqui que os membros da comunidade se conectam entre si.

Comunidades híbridas

Geração Alpha

(desde 2010)

NOVOS INFLUENCIADORES:

equilíbrio e inclusão

 

A “Geração Nós” surge como um grupo poderoso, influenciando importantes decisões familiares e compras domésticas. Influenciados por pais e mães Millennials, preocupados com saúde e bem informados, têm novos padrões de saúde, nutrição e atividades físicas – as rotinas holísticas e ativas são parte de seu estilo de vida. Esse grupo também deverá adotar escolhas de consumo éticas e um estilo de vida sem desperdícios. Crescendo em meio às consequências da pandemia, os Alpha estão testemunhando mudanças globais sem precedentes, que estão remodelando a forma de aprender, brincar e interagir. A imprevisibilidade da pandemia e meses de distanciamento físico perturbaram a vida das crianças em todo o globo, que precisaram lidar com ansiedade e aprender a verbalizar necessidades emocionais em tenra idade.

Novos influenciadores

Saúde mental = rotina

Conforme as crianças voltam à escola, a recuperação do seu bem-estar mental estará na pauta principal da educação. De acordo com a pesquisa de julho de 2020 do YouGov, com 2.000 pais, 36% das crianças estão se sentindo solitárias e isoladas, enquanto 28% são relatadas como ansiosas e 25% incapazes de dormir. O estudo Co-SPACE da Universidade de Oxford, do mesmo período, também descobriu que no Reino Unido crianças com idades entre 4-10 anos relataram um maior aumento de agravantes emocionais, comportamentais, e dificuldades de atenção, em comparação com crianças mais velhas. "As necessidades emocionais das crianças estão sendo completamente negligenciadas no momento”, diz Elizabeth Rapa, pesquisadora do departamento de psiquiatria da universidade, para a BBC. “Eles não estão sendo ensinados sobre como podem falar sobre isso”. 


Assim, a Geração Alpha crescerá tendo práticas de bem-estar como parte normal da rotina. Do aplicativo de atenção plena focado nas crianças, Moshi Sleep, até a Meditação do Headspace para crianças, em parceria com a Barbie e a Vila Sésamo, marcas estão criando ferramentas mais holísticas que podem ajudar a lidar com a ansiedade. A empresa Brightline, de São Francisco, lançou uma plataforma de saúde comportamental antes do planejado, oferecendo sessões de terapia individual para crianças.

Educação como ferramenta híbrida

 

Um verdadeiro experimento global da educação on-line está abrindo caminho para novas ferramentas que melhoram a experiência de aprendizagem. Esse mercado está projetado para triplicar até 2025, e aplicativos de aprendizagem on-line arrecadaram US$ 750 milhões esse ano. As instituições educacionais também estão procurando adotar novas modalidades de aprendizagem, desde transmissões ao vivo até experiências virtuais. O Conselho Central de Educação Secundária da Índia formou uma equipe com a IBM e o Facebook para integrar inteligência artificial ao currículo. À medida que as escolas se preparam para reabrir, o aprendizado híbrido tem mostrado importantes sinais que irá surgir como o novo normal, permitindo que os alunos aprendam em qualquer lugar, a qualquer hora.

 

Contraponto: a pandemia também ampliou as desigualdades e criou divisões digitais entre os alunos de diferentes perfis e rendas. As empresas estão se preparando para ajudar crianças em risco de serem deixadas para trás por depender da Internet sem ter, necessariamente, acesso a uma de qualidade, ou por ter que manejar recursos digitais sem dominá-los ainda. Iniciativas proativas ajudarão a construir boa vontade e acabar promovendo lealdade a marcas, no longo prazo.

Brincar é socializar

 

Os especialistas acreditam que amizades podem ser criadas e sustentadas por meio de jogos on-line colaborativos, com uma série de estudos destacando os benefícios emocionais e sociais de crianças pequenas que jogam videogame. Aquelas que são criadas por pais da Geração Y, ávidos por experiências excitantes, demonstram querer cada vez mais que seu jogo seja envolvente e interativo. Para ajudar a aliviar a ansiedade, as marcas podem oferecer mais espaço para permitir que as crianças expressem suas emoções e criatividade. E muito tem sido feito também com a intenção de que elas entrem em contato com o ambiente natural, cada vez mais escasso em suas vidas. A designer dinamarquesa Rosan Bosch, por exemplo, lançou os "Wonder DIY Kits", que incentivam as crianças a projetar e construir sua própria aprendizagem, brincando de Meio Ambiente. Outro exemplo é a "Mud & Bloom", uma assinatura mensal de caixa de brinquedos que oferece artesanato e atividades de jardinagem para crianças de 3 a 8 anos. 

 

Durante o isolamento, as crianças desenvolveram habilidades sociais únicas para o engajamento digital, enquanto formaram laços mais estreitos do que nunca com seus pais. Há também uma oportunidade para que os pais inclusivos criem, a partir de agora, raízes mais profundas em suas famílias, assumindo papel mais ativo nas tarefas parentais devido à experiência durante a pandemia. Entre os membros da Geração Alpha, essa mudança levará a um novo padrão de igualdade de gênero e a uma mentalidade mais centrada na comunidade.

Brincar é socializar
Educação como ferramenta híbrida