TECNOLOGIA

Do convívio já íntimo e diário com Alexa, Siri, Watson e Google Assistant ao surgimento do 5G, a sociedade atual vive um momento vibrante e acelerado em relação à ciência e à tecnologia. Como formulado pelo professor Yuval Harari, uma explicação para isso pode ser a de que vivemos um momento histórico próspero considerando que os seres humanos passaram a ter controle de três ameaças imperativas: a fome, a peste e a guerra. 

Ainda que se morra por esses males, as gerações atuais são as que menos morreram por conta deles, já que contam com um grupo cada vez maior de capacidades para evitá-los ou minimizar seus efeitos. Segundo Harari, isso cria o contexto para que a humanidade ouse novos e maiores desafios, sendo eles: a busca pela imortalidade, a chave para a felicidade e o alcance à divindade (ou aquilo que seja similar).

No entanto, no momento em que uma das três forças imperativas já “vencidas” toma a forma de um vírus e passa a ser uma variável preocupante para o futuro do planeta, isso redefine tantas mudanças e altera tantos contextos que os benefícios e a própria relação humana com a tecnologia passam a ser questionados: a tecnologia deve mesmo servir ao aprimoramento da experiência humana? Após início do uso em massa da internet, na década de 90, as respostas para este tipo de questionamento passaram a estar cada vez mais ligadas à lógica da sociedade em rede, que, além de uma realidade, pode ser entendida em três estágios:

1. A Internet das Informações, quando surgiu a rede global que conecta os sistemas de computadores do mundo inteiro, permitindo que pessoas de todos os lugares pudessem se conectar e compartilhar informações, numa nova lógica tempoXespaço que superou sistemas analógicos de comunicação.

2. A Internet das Coisas (IoT), uma rede de dispositivos e objetos inteligentes, como sensores, tecnologias vestíveis e smartphones, capazes de compartilhar informações uns com os outros através da internet.

3. A Internet das Ações (IoA), uma visão a longo prazo do futuro digital que cria uma parceria entre a tecnologia e o homem, possibilitando um mundo de realidade cada vez mais híbrida, no qual os algoritmos estão totalmente conectados ao processo de decisão humana. Neste caso, a inteligência coletiva (CI), o conhecimento compartilhado com origem na colaboração humana aprimorada pela tecnologia, oferecerá novas possibilidades, criando valor comercial, social e cívico.

Segundo estudo de tendências da WGSN, a partir de agora, veremos a IoA se desenrolar nos seguintes contextos:

A inteligência coletiva (CI) se assenta na teoria de que a inteligência humana e tecnológica podem ser combinadas para criar soluções inovadoras para problemas sistêmicos complexos do mundo contemporâneo, como a crise climática e até a pandemia da Covid-19. A CI usa tecnologias de ponta para conectar pessoas do mundo inteiro a outras com os mesmos objetivos, como pesquisas científicas ou decisões coletivas em democracias modernas. A tecnologia de redes nos permite trabalhar juntos em uma escala e velocidade sem precedentes. O Centro de Design de Inteligência Coletiva, um departamento de pesquisas estratégicas da fundação de inovações Nesta, localizada no Reino Unido, afirma que a CI foi possibilitada pelo aumento da velocidade e acesso à internet, além do surgimento de sistemas centralizados e serviços descentralizados. Essa combinação permite que alcancemos novos níveis de colaboração entre humanos e máquinas. 

 

Um dos primeiros exemplos de uma CI de sucesso é a Wikipedia, a enciclopédia on-line gratuita produzida por uma comunidade global de editores voluntários e hospedada por uma organização sem fins lucrativos, a Wikimedia. A CI demonstrou seu incrível poder durante a crise do coronavírus, apresentando soluções e prevendo a evolução de ameaças globais inesperadas. Também temos como exemplo a Blue Dot, startup que criou uma plataforma privada de monitoramento de riscos de doenças que usa ferramentas de aprendizado automático e processamento de linguagem natural para processar bilhões de dados de relatórios globais, redes de doenças originadas de plantas e animais e dados de companhias áreas. As informações recebidas são verificadas por epidemiologistas que detectam singularidades que podem causar uma ameaça global à saúde. A startup de Toronto previu e avisou aos seus clientes sobre o surgimento do coronavírus um mês antes das notificações oficiais da Organização Mundial da Saúde.

1. INTELIGÊNCIA COLETIVA

Inteligência Coletiva
Revolução Sensorial

2. REVOLUÇÃO SENSORIAL

A inteligência artificial e a ciência de dados, combinadas com os avanços da psicologia e neurociência, transformarão a forma com que percebemos e vivemos a realidade. Na era da Internet das Ações, a popularização de tecnologias sofisticadas de realidade aumentada permitirá o avanço das experiências humanas e das capacidades sensoriais. A visão e a audição serão expandidas e a reprodução digital do toque e do olfato permitirá, entre outras coisas, "sentir" os produtos e serviços de forma remota.

 

No mundo do marketing e do entretenimento, as marcas vão poder criar experiências multissensoriais que vão além das telas, estimulando todos os sentidos humanos e criando conexões emocionais profundas e duradouras com seu público. Na educação e na comunicação, os processos intuitivos de interação com objetos e movimentação dos nossos corpos serão usados para criar novas formas de aprendizado e colaboração, controlando a tecnologia através de gestos, toques e olhares. Os softwares de interação virtual permitirão que as crianças aprendam conceitos básicos de programação usando movimentos de dança para controlar os dispositivos, e não o teclado. Os dispositivos serão capazes de "ler" a coreografia feita e serão capazes de entender e processar seu código. 

 

Durante a próxima década, estas tecnologias terão coletado uma quantidade enorme de dados sobre os sentidos e movimentos humanos, permitindo a criação de uma nova geração de tecnologias sensoriais, que continuarão a compor parte invisível da nossa vida cotidiana.

3. ECONOMIA PREDITIVA

A combinação de algoritmos de aprendizado de máquina, dispositivos biométricos vestíveis, ciência e análise de dados nos permitirá codificar, entender e prever com precisão os desejos das pessoas. 

A Internet das Ações irá nos conhecer cada vez mais através da nossa presença e comportamento on-line. E, com isso, irá processar estas informações, reconhecer padrões e correlações, testar hipóteses e tirar conclusões. Por fim, ela oferecerá, com exatidão, os produtos e serviços que desejamos e de que precisamos. Essa dinâmica assumirá a forma de uma economia preditiva, com base nas emoções, experiências, conhecimento e confiança mais ampla entre humanos e máquinas. 

 

Segundo Todd Richmond, diretor do Mixed Reality Lab da USC (University of Southern California) onde fica o Institute for Creative Technologies, a confiança entre o homem e a máquina será fundamental para a revolução da internet. "Um dos principais desafios envolve a confiança. Mesmo que as pessoas confiem cegamente nas tecnologias, como os algoritmos de pesquisas, lojas online e GPS, estas coisas sempre foram vistas como ferramentas, e não como parceiros e partes de nossa equipe", ele explicou em um artigo da Forbes. A aproximação entre a sociedade e a tecnologia durante a pandemia de Covid-19, em que a tecnologia passou a ser reposta para diversos problemas e limitações impostas, é um fenômeno importante na direção desse vínculo. Como consequência, as empresas vão apostar na pesquisa e desenvolvimento da relação entre o homem e a tecnologia. Isso será cada vez mais importante, já que algumas decisões vitais serão delegadas à tecnologia, como no exemplo dos carros automáticos. A IoA vai tentar, cada vez mais, repetir nosso comportamento para desenvolver interações e resultados humanos.

Economia Preditiva

4. A OTIMIZAÇÃO DE TUDO

As próximas descobertas tecnológicas darão às máquinas desempenhos cada vez mais próximos do humano, principalmente em relação à computação efetiva e ao processamento de linguagem natural. Os produtos e serviços serão alterados e otimizados para se adaptar em tempo real às nossas mudanças de preferências. A IoA permitirá a customização e otimização de produtos cada vez mais sofisticados, focando na autoexpressão e singularidade do consumidor.

 

Os objetos e ambientes se adaptarão às nossas preferências, ajustando-se em tempo real às mudanças diárias em nossos desejos e necessidades. A inovação nos materiais e processos de fabricação customizáveis permitirá que os consumidores participem no design e produção dos produtos. Além disso, as novas tecnologias irão aprimorar a interação das máquinas com os humanos, para que tenham mais empatia e compreensão. Durante a era da Internet das Coisas, os dispositivos eram vistos como ferramentas, agora, nessa nova era, eles serão vistos como parceiros, nos auxiliando nas atividades cotidianas, do nosso trabalho até nossa saúde. Os objetos cada vez mais agregarão qualidades humanas, replicando nossas emoções e inteligência sensorial, trazendo efeitos incríveis para a indústria.

 

A empresa de tecnologia de detecção de gás C2Sense, por exemplo, desenvolveu um sensor que atua como o nariz humano, capaz de avaliar se um alimento está maduro a partir dos níveis de etileno, o gás liberado por produtos maduros. Ao ser incorporada na rotulação inteligente de alimentos, esta tecnologia permitirá que os consumidores selecionem frutas e vegetais com o grau de maturação desejado.

A Otimização de tudo

Com base nesses contextos, podemos observar tendências de tecnologia acontecendo e sendo definidas no que tange a novas propostas de design e de novos atributos como também os impactos que estas novidades incidem nas dinâmicas sociais e dos mercados.

Design para mundos híbridos

À medida que a pandemia de Covid-19 limitou o número de opções disponíveis, ela convidou e estabeleceu um momento para que mais pessoas tivessem sua primeira experiência digital. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, até dezembro, 11,5 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra online durante a pandemia.

Conforme o processo de transformação digital das empresas já estava maduro o suficiente e que diversos comércios físicos puderam acessar rapidamente serviços de parceiros para se tornarem digitais (e-commerce, pagamento, delivery, etc.), o cenário foi propício para que tanto as experiências digitais que se tornaram mais recorrentes quanto aquelas que aconteceram pela primeira vez gerassem valor para seus novos e velhos consumidores que dificilmente vão desejar regredir para um modelo totalmente presencial, estabelecendo, portanto, o designer de experiências híbridas como premissa.  

Casa inteligente


Enquanto o mercado global de smartphones apresentou leve queda em 2019, o setor brasileiro foi pelo caminho oposto naquele ano: o mercado oficial de celulares registrou a venda de 48,6 milhões de aparelhos, uma alta de 3,3% em relação ao ano anterior, de acordo com estudo divulgado pela consultoria IDC. O impacto da pandemia, puxado principalmente pelo isolamento social e a permanência em casa, deve acelerar o protagonismo desse dispositivo na administração da vida cotidiana.

 

Depois de controlar a conta bancária, as atividades físicas, substituir o dinheiro e o cartão de crédito e, acima de tudo, se tornar uma central pessoal de informação, comunicação e entretenimento, chegou a hora de o smartphone controlar as casas.  Pesquisa da Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, aponta que os dispositivos Internet das Coisas para residências inteligentes entrarão em 53,9% das residências nos EUA até 2023. Os principais projetos de automação residencial estão voltados para funções de iluminação, áudio e vídeo e climatização. Mas com o crescimento da oferta de novos sensores, já é possível também controlar e medir o consumo de energia elétrica e de água, por exemplo. As possibilidades são cada vez maiores e, melhor, mais acessíveis também - a oferta de aplicativos, equipamentos e sensores é cada vez mais barata.

 

No Brasil, vem se consolidando o mercado de assistentes virtuais como a Alexa e o Google Assistant, o que para muitos especialistas ainda é apenas a ponta do iceberg. Um sinal importante de que as casas inteligentes estão ganhando força são os investimentos no setor. O Google, por exemplo, investiu 450 milhões de dólares na compra de parte da ADT, uma empresa que comercializa soluções de segurança para casas inteligentes. Os algoritmos de aprendizado quando conectados com os recursos de segurança podem se tornar uma nova classe de produtos de grande interesse. Chama a atenção a possibilidade que se abre de interconectividade: a automação dos dispositivos, por exemplo, pode gerar alertas e notificações em aplicativos nos celulares dos moradores que também estão acoplados aos assistentes virtuais e speakers.

Desenvolvimentos de novos hardwares


Desde fones de ouvidos a novos consoles de jogos, passando por óculos de realidade aumentada e holografia, com a pandemia, os dispositivos que permitem o acesso ao ambiente digital e as interações híbridas, ganharam novo fôlego para se reinventar. Em 2021, novos consoles como o Playstation 5 e o Xbox Series X devem apresentar recursos de jogos ainda mais rápidos e poderosos, impulsionados por gráficos 8K, ray tracing e redes 5G. 

 

Os fones de ouvido e os óculos de realidade mista ainda não foram amplamente adotados, mas os designs estão cada vez mais próximos das novas necessidades dos perfis de consumidores que surgirão nos pós-pandemia: a HTC, por exemplo, está trabalhando em óculos semelhantes a óculos de esqui com lentes holográficas, enquanto a Apple está planejando lançar óculos de realidade aumentada em 2021. Este mercado voltado para pessoas que passam muito tempo na internet tem buscado integrar seus produtos mais facilmente às residências na medida em que a casa passa a ser o lugar de onde estes consumidores mais se conectam com o virtual.

 

No entanto, conforme as pessoas passam também a retornar suas rotinas fora de casa, haverá necessidade para que locais públicos e eventos coletivos incorporem tecnologias e hardwares que reproduzam experiências que passaram a fazer parte do dia-a-dia dentro das casas. Trata-se então de uma janela de oportunidades e novos experimentos para o setor de eventos e festivais, para o setor de moda, bem como para repensar e estrear um novo grupo de tecnologias nas cidades. 

A estética digital


A estética digital tem assumido um papel diferenciado nos projetos de arquitetura e design de interiores, algumas possibilidades se aproximam de uma aparência de desenho animado e outras já seguem um conceito digital mais sofisticado e luxuoso. Para alguns designers como Six N Five e Andrés Reisinger, a contribuição da estética digital para construção de mundos híbridos está assumindo cada vez mais um estilo que resgata os sonhos, com a inclusão de superfícies iridescentes e holográficas, plantas 3D e elementos fascinantemente "impossíveis", como cachoeiras infinitas.

 

Conforme o software digital se torna cada vez mais avançado, as renderizações e os designs 3D também estão se tornando mais táteis e realistas. Um exemplo de aplicação da estética digital é o novo jogo de realidade mista HoloVista, criado por um diretor de arte e fotografia. A estética do jogo é exuberante e ricamente detalhada, e o objetivo é fotografar objetos e publicá-los no feed do protagonista no Instagram. 

 

A tendência é que arquitetos e designers de interiores tragam mais essas possibilidades para seus projetos, de modo que eles estejam cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas e nos conceitos dos novos prédios.

Interconectividade e a digitalização do toque

Com o toque físico fortemente reduzido pela pandemia, a tecnologia 'háptica' passou a chamar a atenção e o interesse de investidores e de alguns segmentos de mercado. As inovações de design começaram a atuar numa nova onda de sensibilidade para o tato digitalizado para a vida diária, desde a textura da tela até experiências sensoriais cruzadas concomitantes.

Toque à distância


Com amigos e familiares ainda incapazes de se encontrar e se tocar como antes estão surgindo soluções de tecnologia que imitam alguns dos benefícios psicológicos e sociais da conexão física.

 

O projeto ISOtouch de Aliki Siganou simula o toque físico usando um conjunto de wearables: luvas que traduzem os gestos das mãos em um abraço e um colete que usa vibração e almofadas de calor para oferecer o abraço ao usuário. Feel The Conversation, de Sandeep Hoonjan, traduz a conversa em contato. Os pincéis no dispositivo semelhante a um telefone se movem em sincronia com a intensidade e o ritmo das palavras faladas. Jaron Lanier, inovador de Realidade Virtual, liderou o desenvolvimento do Together, um novo recurso do Microsoft Teams. Todos os participantes da videochamada têm assento em um auditório virtual (ou sala de aula ou cafeteria). Isso ajuda a acionar sutilmente pistas sociais, como manter contato visual com o falante, e restabelece um pouco da "psicologia da facilidade" da conversa na vida real. Como alguns tratamentos de spa permanecem indisponíveis, a realidade virtual encontrou um novo papel: o de terapeuta.

 

Ainda que a expectativa por uma vacina para o novo coronavírus torne o distanciamento social momentâneo, o processo criativo destas inovações deixa um rastro de possibilidades que podem incrementar a criação de novos produtos e a forma como os consumidores irão acessá-los e consumí-los.

Toque à distância

A saúde ainda mais conectada

 

A transformação digital revolucionou como a tecnologia passou a ser usada na área da saúde. As inovações nos diferentes segmentos são tantas que foi necessário criar um termo específico para agrupá-las: é o digital health ou “saúde digital”, conceito amplo e conhecido mundialmente que trata das ferramentas e soluções digitais que ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Medicina do futuro, neurociência e robótica aliados ao domínio e melhorias na experiência do uso das tecnologias digitais estão abrindo novas possibilidades para que cuidar da saúde se torne cada vez mais um hábito imperceptível no cotidiano, de modo que existam opções conectadas ao que já existe e já faz parte do dia-a-dia da maioria das pessoas com acesso à internet. 

 

A startup isralense Binah criou um solução digital que permite medições de sinais vitais em tempo real, usando apenas a câmera de smartphone, laptop ou tablet. Só de olhar para a câmera do aparelho é possível obter esses dados do paciente em menos de dois minutos. A Binah chegou ao Brasil por meio de parcerias com empresas nacionais e inclusive já é utilizada em projetos de cunho social para o atendimento de cidadãos no Sistema Único de Saúde, como por exemplo em uma parceria da Unimed-BH, a Prefeitura de Belo Horizonte e a Vale, que conta com essas tecnologia para acompanhamento de pacientes com suspeita de Covid-19. No mundo, o app já foi utilizado por cerca de 20 milhões de pacientes, segundo dados da própria empresa.

Tecidos inteligentes

Tecidos inteligentes e "peles" digitais, por exemplo, estão virando realidade, dando início à Internet dos Têxteis, onde fibras e tecidos ficam ao lado de vidro e plástico como interfaces mais suaves e táteis para a tecnologia. 

 

A equipe de pesquisa da Cornell Hybrid Body Lab criou WovenSkin, uma 'tatuagem inteligente' que reúne circuitos e tecelagem. Sensores de toque capacitivos permitem que o usuário da pele controle dispositivos acariciando o tecido. Da Holanda, Lyssy Stuyfzand, formada em design, criou peças de parede bordadas que trazem tato para controlar a casa inteligente, e dois produtos - uma luz e um alto-falante - são totalmente controlados pelo toque. Os gestos usados ​​para controlar cada um são informados pelos gestos usados ​​no bordado da obra. StretchEBand são sensores elásticos baseados em pontos que têm a vantagem de poder ser fabricados com ferramentas têxteis artesanais usadas em casa, servindo para serem acoplados em diversos objetos. Produto do Media Interaction Lab, isso transforma um tecido elástico em uma interface. Há também o IO/Braid do Google (uma interface têxtil que permite que os usuários controlem os eletrônicos apertando, dando tapinhas ou passando um fio de tecido por seus devices), faz experiências transformando o cabo de um dispositivo (fones de ouvido por exemplo) em uma interface que pode acender e realizar funções em resposta a estímulos de toque ou aperto.

Tecidos Inteligentes

Toque sensorial cruzado

 

Os conceitos de produtos sensoriais cruzados estão usando o toque para dar vida a experiências que, de outra forma, dependeriam do som ou da visão. Muitos são totalmente exclusivos, oferecendo benefícios de inclusão que melhoram a experiência de todos os usuários.

A pulseira Neosensory Buzz traduz o som em padrões vibracionais. Seus casos de uso incluem intensificar a música, alertar os usuários sobre campainhas ou alarmes, remover ruídos de fundo para melhorar o sono e tornar a leitura labial mais fácil. A braçadeira Sentero do Cyborg Nest tem como objetivo adicionar um sentido. Usando vibração padronizada, os usuários podem "enviar" batimentos cardíacos e emojis hápticos uns para os outros e sentir a presença de pessoas. As lâmpadas Tactus de Alexander Lervik trazem uma ideia semelhante aos utensílios domésticos, traduzindo o toque em cores. A cadeirinha do carro Enhanced Instinct de Daan Leenarts usa recurso tátil para permitir que um carro se comunique com seu motorista, transmitindo informações de trânsito e de direção por meio de uma interface tátil na parte de trás. O dispositivo Tremi de Chukwuji Nwakude captura dados visuais e os converte em mensagens táteis usando inteligência artificial, para que imagens de texto possam ser capturadas.

Um novo olhar para os mercados e para a organização em sociedade

Durante a pandemia, a tecnologia despontou como ferramenta de adaptação rápida e urgente à realidade remota de um confinamento imposto. Longe de afetar somente a vida privada e o ambiente doméstico, essa nova realidade impactou o senso coletivo e, com ele, a própria política. Com as vidas sociais e o comportamento de consumo indo para meios digitais, as práticas políticas também precisaram se adaptar. A pandemia acelerou as transições governamentais de agências grandes e centralizadas para órgãos locais conectados por infraestrutura digital. As necessidades de informação crítica dos cidadãos estão sendo atendidas pelo jornalismo que é produzido e divulgado principalmente online, à medida que um discurso comum de conscientização do comportamento coletivo solidário e responsável é crucial para controlar a propagação do vírus.

A democracia digital é mais humana

 

Governos e políticos estão aprendendo a lidar com a pandemia por meio de formas digitais, que ao que tudo em dica, vieram para ficar. O marketing digital e as mídias sociais têm sido usados para a distribuição de informações e a divulgação das ações de enfrentamento à crise. Redes sociais, como Facebook, Instagram ou Twitter, têm uma função cada vez mais cívica, facilitando a interação humana e a coleta de notícias à medida que os cidadãos se abrigam em confinamentos. A mídia social e as tecnologias móveis também facilitam a dedicação do tempo e do esforço de uma pessoa a causas políticas, enquanto as tecnologias financeiras integradas permitem fazer doações monetárias para as causas que as pessoas apoiam. 

 

Pode-se observar uma tendência política de apostar nas pessoas físicas e suas reputações, em vez de manifestos partidários. Isso abre oportunidade de contato direto e pessoal entre autoridades eleitas e seus constituintes, bastante aumentada por pontos de contato digitais. O escritório da congressista de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez tem entrado em contato diretamente com eleitores em partes do Bronx e no centro-norte do Queens para perguntar se suas necessidades básicas estão sendo atendidas durante o confinamento. 

 

A complicada dinâmica de como as pessoas veem e expressam emoções em ambiente público também ganhou uma adaptação durante a crise, o que foi muito influenciado pela dinâmica do ambiente digital. Andrew M. Cuomo, governador de Nova York, chorou em mais de uma ocasião durante seus briefings diários televisionados sobre o coronavírus. O mesmo aconteceu com diversos jornalistas em todo o mundo. Políticos, celebridades e jornalistas estão se humanizando em um ambiente público na medida em que percebem que sua audiência expressa seus sentimentos, opiniões, críticas e emoções de forma imediata. Trata-se da velha e boa lei da ação e reação. 

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Ativismo no palco digital

 

À proporção que influenciadores se transformam em empreendedores sociais na esteira da Covid-19, as empresas vão acelerar a transição da comunicação de suas marcas para abrigar ou prover conteúdos relevantes, comumente ligados a causas. A "Rede móvel de contar histórias", da TV PLUC (People Like Us Create), está transmitindo conteúdo gerado por usuários em que médicos da Covid-19 atuam como jornalistas e reportam a realidade da pandemia direto da linha de frente. Em março, a ativista da Geração Z, Greta Thunberg, convocou outros jovens ativistas do clima para moverem suas manifestações on-line em meio à pandemia, pedindo às pessoas que participem de uma greve digital postando uma foto sua junto com a hashtag #ClimateStrikeOnline. A atriz e ativista norte-americana Jane Fonda lançou uma parceria com o Greenpeace para apresentar interações virtuais de seu treinamento de incêndio às sextas-feiras, hospedando manifestações on-line mensais para continuar pedindo ao governo que reaja.

 

Também veremos um maior valor do diálogo ativista na formação de identidades de marca fortes. Ao ir além das campanhas de marketing focadas no consumo e entrar em uma narrativa mais ampla, de valores como cuidado e compaixão, as marcas não estão apenas se provando resilientes, mas também assumindo certo "protagonismo no combate à crise, como agentes de mudança", frase usada por Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci e Marco Bizzarri, presidente e CEO da marca. A maneira como as marcas usaram essa oportunidade para se posicionar, redefinindo como operam e pensando em maneiras criativas de agir, será cada vez mais importante para impulsionar a lealdade e o engajamento de consumidores a longo prazo.

Ativismo no palco digital

Um novo momento para o Big Data 

 

Os hábitos de consumo mudaram e substituíram o tradicional "olhar as vitrines" nos corredores dos shopping centers por pesquisas e buscas na internet, visita a perfis nas redes sociais e pedidos de recomendações de outros consumidores desconhecidos. A diferença entre esses novos hábitos e o tradicional “passeio no shopping” é que eles deixam rastros e podem ser monitorados de diversas formas. Além disso, o consumidor interessado está disposto a fornecer seu e-mail e  outros dados de identificação pessoal desde que isso se converta em comodidade e vantagens nas próximas experiências de compra. O aumento das compras e da presença on-line corrobora para um maior tráfego, coleta e uso de dados, ao passo que as pessoas se acostumam e aderem à prática de ceder seus dados em troca da conveniência que um serviço possa oferecer.

Com a resposta de países como a Coréia do Sul à Covid-19, as pessoas tendem a desenvolver maior tolerância a estratégias de vigilância e Big Data, mesmo em sociedades ocidentais, que têm na privacidade um pilar central. A personalização baseada em dados é uma realidade para criação de novas experiências e produtos para consumidores, uma vez que algoritmos mais sofisticados já têm permitido analisar emoções em larga escala. Esse tipo de recurso já é amplamente utilizado nas estratégias de design e marketing e começam a ganhar espaço em outros tipos de uso, como em campanhas eleitorais e movimentos de ativismo político. O que tem gerado controvérsias e discussões sobre até que ponto elas começam a fragilizar o espírito democratico. 


Processos de cocriação das empresas para suas marcas com participação de seus fornecedores ganhará importância como possível abordagem para a solução de problemas que se baseiam na leitura de dados para gerar inovação. Os varejistas que têm usado dados de usuários para oferecer produtos personalizados podem elevar sua base de clientes oferecendo opções de maior customização. No caso da política, o uso de dados em uma estrutura de cocriação em marketing político permitirá alcançar consumidores em rápida e permanente atualização de gostos e preferências, como Millennials e Gen Z. As campanhas podem em breve ser capazes de atingir os eleitores com base em seu estado emocional, afetando assim sua opinião.

Privacidade e confiança pós-2020

A crise sanitária e a sensação de insegurança em instâncias públicas e privadas estão colocando as preocupações sobre a privacidade do indivíduo em destaque, desde a socialização on-line até aplicativos que usam dados de localização para rastrear epidemias. Enquanto governos, empresas e instituições buscam inteligência colaborativa para criar soluções, os ativistas e usuários preocupados com privacidade estão em alerta, já que os padrões usuais em torno do assunto estão sendo relaxados ou totalmente contornados. Embora essas iniciativas, sem dúvida, tenham o potencial de desempenhar um papel crucial na proteção da saúde pública, as informações que estão sendo coletadas agora podem ser usadas no futuro de maneiras que não foram previstas nem parecem razoáveis.

Aplicativos vigilantes

O benefício da transparência 

 

Embora as pessoas possam estar dispostas a dar acesso a dados que normalmente não dariam durante uma crise, como a do coronavírus, as empresas devem se preocupar, cada vez mais, com as garantias de que estão fazendo uma correta manipulação e utilização destes dados, uma vez que os mecanismo de proteção e que buscam assegurar privacidade estão cada vez mais aprimorados, sobretudo do ponto de vista legislativo. 

No Brasil, por exemplo, 2020 será lembrado também como ano em que entrou em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados.

Compartilhando de casa

 

Outro aspecto relacionado à privacidade que passou por grandes mudanças é a percepção dos usuários de tecnologia em utilizar dispositivos com câmeras e microfones em sua casa.  O que antes era motivo de grande preocupação, pois era considerado uma perda de privacidade, passou a fazer parte do dia-a-dia, já que o Home Office e as dinâmicas de confinamento estimulou maior acesso online a partir das casas, de modo que as pessoas passaram a compartilhar seus espaços privados em uma intensidade maior do que normalmente fariam.

 

Alternativas para possíveis resistências também surgiram. A função "desfoque de fundo", da plataforma de reuniões online Microsoft Teams, permite que os usuários ocultem seus arredores enquanto continuam presentes e visíveis para video conferências de trabalho. 

 

O mesmo se pode dizer dos filtros nas redes sociais. Eles estimulam uma maior presença on-line, pois resolvem possíveis impedimentos que fariam uma pessoa pensar duas vezes para gravar e postar um vídeo por exemplo. Ao corrigir o que se considera uma  imperfeição ou dar acesso a uma quantidade exponencial de possibilidades e recursos que melhorem a imagem, os filtros estimulam mais exposição nas redes sociais ao mesmo tempo que possibilitam a coleta de uma gama diversificada de novos dados. 

Aplicativos vigilantes 

 

O desafio de encontrar soluções eficientes para garantir o isolamento social ativou uma série de ideias relacionadas à inserção de novas tecnologias, além do esforço de criar usos diferentes para tecnologias existentes.

Aplicativos de rastreamento de contato, por exemplo, começaram a ser usados como forma de conter a disseminação do coronavírus e mitigar uma nova onda de casos. Esses aplicativos rastreiam dados de localização para alertar os usuários quando eles estiverem perto de alguém que apresentou sintomas recentemente. De acordo com um estudo da Universidade de Oxford, 60% da população de um país precisa usar esse tipo de aplicativo para que isso seja eficaz. Na China, o aplicativo Alipay Health Code gera códigos QR que indicam os níveis de risco e determinam se a quarentena é necessária. Coreia do Sul e Cingapura também implantaram aplicativos usando localização de celular de dados que ajudaram as autoridades a conter o vírus. Durante a pandemia, a Apple e o Google começaram a trabalhar juntos em uma infraestrutura de rastreamento de contatos com potencial para ser usada globalmente.

 

O DP3T (Decentralized Privacy-Preserving Proximity Tracing) é um projeto que explora como usar etiquetas de identificação temporárias em vez de números de telefone para rastrear casos e preservar o anonimato do usuário. Nomes e dados demográficos não são coletados e o armazenamento é distribuído por várias partes impedindo que alguma organização tenha controle sobre ele e evitando o potencial uso indevido futuro. O Rastreamento de Proximidade de Preservação da privacidade Pan-Europeia (PEPP-PT) também favorece aplicativos opt-in que usam identificadores anônimos, rastreando a proximidade usando Bluetooth.

O que mais vem por aí

A edição especial da IFA (Consumer Electronics Unlimited), uma das exposições de tecnologia mais importantes da Europa, que aconteceu em Berlim, em setembro de 2020, teve uma série de lançamentos de produtos com foco em saúde, sustentabilidade e desempenho, e trouxe ao menos cinco insights importantes  para empresas de produtos e serviços: 

1. Ofereça produtos flexíveis: adapte-se a formas cada vez mais flexíveis de viver em casa com produtos de tecnologia portáteis e designs modulares ou de mudança de forma.

2. Design para o bem-estar: atualize os dispositivos para oferecer benefícios de saúde a longo prazo, desde a detecção de quedas em tecnologia vestível até a remoção da luz azul em tablets.

3. Faça da higiene uma prioridade: tendo a limpeza como prioridade para os consumidores, produtos como purificadores de ar e eletrodomésticos são essenciais.

4. Venda sustentabilidade: fatores como eficiência energética, uso de água e vida útil da bateria são de crescente importância para os consumidores, que buscam viver de forma mais sustentável e economizar dinheiro.

Smart & sustentável

 

À proporção que as marcas de tecnologia começam a investir mais amplamente em sustentabilidade, os lançamentos de novos produtos integram eficiência energética e autossuficiência.


Os novos aparelhos de lavanderia da Samsung podem 'aprender' rotinas de lavagem e detectar o peso e o nível de sujeira das cargas para otimizar os ciclos, reduzindo o tempo de lavagem em até 50% e o uso de energia em 20%
O sistema Wiser da Schneider Electric usa inteligência artificial para otimizar o consumo de energia, permitindo que os usuários reduzam em até 50% os custos de energia em toda a casa
O forno Vivoscreen da Smeg funciona como uma máquina de venda automática para cozinhar, oferecendo modos de cozinhar via touchscreen, enquanto a jardinagem guiada se move para a cozinha com o BerlinGreen e caixas de cultivo da agricultura em pequena escala para ambientes domésticos fechados.

Os heróis da higiene.png

Os heróis da higiene

 

Dando continuidade à tendência de investir em tecnologia de proteção, novos lançamentos focam em higiene e limpeza.


 A Creative Technology mostrou um purificador de ar pessoal usado ao redor do pescoço e a LG lançou o PuriCare, uma máscara de filtro duplo com ventiladores motorizados
 A Haier anunciou dois modos de máquina de lavar para EPI, Desinfecção da Máscara e Atualização da Máscara
 O refrigerador InstaView Door-in-Door da LG usa tecnologia UVnano para desinfetar dispensadores de água de hora em hora, enquanto a mini-lava-louças Bob da Daan Tech pode lavar e esterilizar UV máscaras, chaves e carteiras
Os condicionadores de ar e aspiradores de pó robô também exibiram suas credenciais. O novo D10 da Neato captura partículas tão pequenas quanto 0,3 mícrons.

A casa como hub

 

Novos produtos povoam a casa, em sua nova condição de hub doméstico, à medida que as pessoas passam mais tempo em casa


 O home cinema é o grande foco de entretenimento, com novos projetores a laser 4K da Samsung e LG, e lançamentos de áudio doméstico premium da Bowers & Wilkins, Harman Kardon e Teufel

O assunto da segurança continua a liderar os avanços em casas inteligentes. A Ring fez parceria com a Lutron para integrar iluminação inteligente com seus sistemas de câmera

— O Smart Clock Essential, da Lenovo, se encaixa numa tímida tendência tecnológica com seu discreto CMF e design.

Propulsores de produtividade
A casa como hub

Propulsores de produtividade


Trabalhar em casa impulsionou a demanda por tecnologia, o que permite que as pessoas se concentrem no trabalho tendo uma série de distrações de pano de fundo. O cancelamento de ruído ativo é um recurso fundamental em novos fones de ouvido e laptops, e o som adaptável é uma tendência a se observar


 Laptops e tablets são comercializados para trabalho remoto e oferecem flexibilidade para diferentes tarefas ao longo do dia de trabalho, passando de laptops para blocos de desenho, por exemplo

— Os robôs de telepresença também estão preparados para ganhar aceitação em escritórios e ambientes de trabalho. O novo assistente de telepresença da GoBE Robots promove 'inclusão social' para trabalhador remoto.

Tecnologia flexível

Tecnologia flexível

 

Produtos multiuso, modulares e portáteis estão sendo desenvolvidos para se adequar aos estilos de vida cada vez mais flexíveis e expressivos de consumidores


 O smartphone Galaxy Z Fold 2 5G da Samsung é flexível por dentro e por fora, com dois monitores, um layout com várias janelas e uma cor de dobradiça personalizável

O 6mq da Shift, um smartphone modular de última geração, possui uma tela de 6 polegadas e câmera traseira dupla

Os frigoríficos personalizados da Samsung podem ser personalizados no momento da compra e posteriormente, permitindo que os proprietários mudem a sua aparência sempre que quiserem

— Os alto-falantes portáteis continuam sendo um item importante para marcas de tecnologia e se tornaram mais premium com o lançamento do Harman Kardon's Citation.

Bem-estar

 

Enquanto as marcas de tecnologia se tornam mais comprometidas com o bem-estar, seus produtos estão incorporando uma gama mais ampla de recursos para manter a saúde a longo prazo


 Filtrar a luz azul das telas é importante para a saúde dos olhos. Novos óculos, tablets e e-readers inteligentes têm esse recurso integrado. O NxtPaper da TCL também reduz a cintilação e a saída de luz

 A detecção de queda é um recurso fundamental nos novos smartwatches da TCL e da Samsung, confirmando a crescente importância do design para idosos

 O Fitbit Sense apresenta dados de estresse, sono, temperatura da pele e métricas de saúde do coração, enquanto o Honor Watch ES suporta 95 modos de treino e monitora ciclo menstrual, sono e estresse.

Bem-estar